É o ramo da Matemática que investiga
as propriedades dos números
naturais ou inteiros positivos: 1, 2, 3, 4, 5, ... .
Os números naturais
surgem do processo de contagem e é impossível imaginar a
humanidade desprovida da habilidade de contar. O conceito de
número natural foi
axiomatizado (axiomas são afirmações
aceitas como verdades
iniciais sem demonstração) em 1889 pelo
matemático italiano Giuseppe Peano
(1858-1932), numa das
primeiras manifestações da Axiomática Moderna e da
Abstração
Matemática. Os matemáticos estenderam os números naturais aos
inteiros, aos racionais, aos irracionais, aos complexos, aos quatérnios,
aos
octonions, aos números de Cayley, ... .
É impossível imaginar a Teoria dos Números desprovida
da rica e
poderosa Teoria das Funções de Uma Variável
Complexa. Um dos exemplos mais
importantes é a função
de uma variável complexa denominada função Zeta de
Riemann
que dá informações sobre a distribuição dos números primos.
Ela é
definida por:
onde s = c + i d é um número
complexo e c >1.
Essa função é
a chave da demonstração do Teorema do Número
Primo que afirma que o número
, de primos p tais que p é menor
ou igual a x, é aproximadamente
quando x é muito grande.
Esse teorema foi conjeturado por Gauss
e Legendre, e demonstrado por Hadamard e
de La Vallée Poussin,
em 1898.
A história dos
números complexos revela-se fascinante.
Registros históricos mostram que, em
2500 AC, os Sumérios
já tinham necessidade da subtração. Os números que
conhecemos como inteiros negativos são resultados de certas
subtrações.
Por exemplo, em notação moderna, o resultado da
subtração 5 – 10 é –5.
Matemáticos não resistiram, ao longo
da História, à pressão da curiosidade de multiplicar
números
negativos dando origem ao conjunto numérico que atualmente
denominamos de conjunto dos Números Inteiros: {0, ±1, ±2, ±3...}.
Os Pitagóricos
(550 AC) acreditavam que o mundo poderia ser
compreendido por meio de razões da
forma m/n (racionais) com
m e n naturais e n
distinto de zero. Contudo, esse modelo do mundo
ruiu quando se descobriu que a
medida da diagonal do
quadrado, de lados medindo 1, é
. Ora,
não é
razão
de naturais! Além disso, os Pitagóricos descobriram muitos
outros desse
tipo:
,
,
,
, ... .
Portanto, por
necessidades intrínsecas da investigação
matemática, o universo dos números
naturais foi expandido
amplamente. Durante o desenvolvimento da Álgebra, na
Idade Média
, os matemáticos italianos exploraram vários tipos de equações e
classificaram suas soluções. Essa investigação mostrou que algumas
equações não
possuíam solução em termos dos números conhecidos.
Um dos problemas enfrentados
consistia na solução da
equação x² + 1 = 0. Essa equação não parecia ter
solução, pois
contrariava o fato de que todo número real distinto de zero,
quando elevado ao quadrado, é positivo. Os matemáticos indianos
e árabes, quando
se deparavam com essas equações se recusavam
a definir algum símbolo para
expressar a raiz quadrada de um número
negativo, pois consideravam o problema
completamente sem
sentido. No Século XVI, raízes quadradas de números negativos
começaram a aparecer em textos algébricos, porém os autores frisavam
que as
expressões não possuíam significado e utilizavam termos
tais como ”fictícias”,
“impossíveis”, “sofisticadas”, para
mencioná-las. O matemático alemão Leibniz
(1646-1716), um dos
inventores do Cálculo Diferencial, atribuía à raiz quadrada
de –1 um
certo caráter metafísico interpretando-a como uma manifestação
do
“Espírito Divino”; a mesma sensação de espanto sucedeu com o
matemático suíço
Lenhard Euler.
Alguns matemáticos europeus, em
particular os italianos Gerolamo
Cardano e Rafaello Bombelli, introduziram os
números complexos na
Álgebra, durante o Século XVI, quando eles assumiram a
existência de
raízes quadradas de números negativos, apesar de considerarem
tais
raízes “números impossíveis” e, assim, denominá-los
“números imaginários”. Por
esse motivo, até hoje perdura o nome
de números imaginários quando nos referimos
a raízes quadradas
de números negativos. Postulando a existência de raízes
quadradas
de inteiros negativos, e assumindo que i é solução da
equação
x² + 1 = 0, ou seja, axiomatizando–se que i satisfaz a
relação
i² = –1, pode-se efetuar operações envolvendo i e os
números
reais. Dessa forma, para qualquer número real positivo a,
a raiz quadrada
do número negativo –a é i
, ou seja,
= i
.
Dados os números reais c e d,
podemos multiplicar d por i
e obter i d, e adicionar a
c para obtermos c + i d. Em geral, qualquer número complexo
é escrito como c + d i, onde c é denominado “parte
real” e d “parte imaginária”.
Portanto, obtemos números da forma c + i d formando
o
conjunto dos números complexos. No conjunto dos números
complexos,
podemos adicionar e multiplicar formando uma estrutura
algébrica denominada
corpo dos números complexos.
Os matemáticos costumam
representar os números reais como pontos
em uma reta denominada de reta real,
onde a cada ponto corresponde
um único número real e a cada número real associam
um único ponto
dessa reta. Como a raiz quadrada de um número negativo não pode
ser representada nessa reta, persistiu um impasse até o Século XIX. O primeiro
a propor uma visualização
dos complexos identificando-os
como pontos do plano bidimensional foi o
autodidata norueguês
Caspar Wessel em 1797. Essa idéia foi redescoberta por
Jean-Robert Argand,
um contador suíço, que publicou um livro em 1860 sobre o
assunto,
e também pelo genial matemático alemão Karl Friedrich Gauss. Como era
impossível associar um ponto da reta real à raiz quadrada de um número negativo,
a questão foi resolvida associando-se aos números imaginários pontos sobre
uma
reta perpendicular à reta real, passando pelo ponto zero,
e dessa forma criando
um sistema de coordenadas cartesianas.
Nesse sistema, os números reais são
colocados sobre o eixo horizontal, denominado eixo real, e todos os
números imaginários sobre a reta
perpendicular à reta real, passando pelo zero
da reta real horizontal,
denominado de eixo imaginário. Como
=
=
i
,
todos os números imaginários podem ser colocados no eixo
imaginário como múltiplos de i =
. Portanto, não só os imaginários
passam a ter
uma representação gráfica, como as combinações
possíveis de reais e imaginários,
ou seja, os números complexos, são representados por pontos no plano definido
pelos eixos real e
imaginário, denominado plano complexo.
O talento e a genialidade de
Gauss levaram a um dos resultados
mais profundos da Matemática, o Teorema
Fundamenta Álgebra,
que afirma que toda equação polinomial possui solução no
corpo
dos números complexos. Além desse resultado importantíssimo,
a álgebra
dos números complexos originou uma nova área de
investigação — a Análise
Complexa — que tem um papel fundamental no desenvolvimento da Álgebra e da
Teoria dos Números. Os números
complexos representam uma das estruturas mais
importantes
da Ciência. Atualmente, é impossível imaginar a Engenharia
Elétrica,
a Aerodinâmica, ou a Dinâmica dos Fluidos,
sem os números complexos. A Mecânica
Quântica faz uso dos
números complexos e, na Teoria da Relatividade de Einstein,
o espaço tridimensional é visto como real e a dimensão relativa ao
tempo como
imaginário.
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